Perleam

A Mochila

[Antes de tudo, este é o segundo capítulo desta história, caso queira ler o capítulo um clique aqui para encontrá-lo.]
 – Que horrível, vamos pegar a sua mochila… – já ia dizendo Perleam, mas se lembrou de como as pessoas podiam ser repreensivas, não havia dúvidas que eles seriam tão quanto a sua professora. – depois que eles forem embora. Agora pegue a minha mão, vamos conversar.
     O nome daquele garotinho era Marcelo e depois de alguns minutos se tornaram melhores amigos. Enfim Perleam parecia ter encontrado um amigo de verdade, alguém como ele.
 – Vamos pegar a sua mochila? – sugeriu ele.
 – Acho que eles já foram, então tudo bem.
      Perleam seguiu na frente assoviando, já que agora tinha motivos para isso, um amigo que revivera a alegria no seu coração.
 – Parece um pouco suja, mas vai ficar bem, obrigado Perleam. – agradeceu Marcelo pegando a mochila.
 – LÁ! OLHEM! É ELE E O IDIOTA GANHOU UM NOVO AMIGO! SÃO DOIS MARIQUINHAS! – zombou um dos garotos apontando para eles. – VAMOS PEGÁ-LOS! – e saíram correndo na direção deles.
     Perleam e Marcelo não poderiam mais voltar para a escola, aquele caminho estava bloqueado pelos garotos na direção deles, então correram para o única passagem: um bosque próximo ao pátio. Entretanto, quando chegaram à sombra das árvores uma cerca de metal bloqueava o caminho, mas Perleam encontrou um buraco nela e entrou na floresta primeiro esperando pelo seu amigo do outro lado.
 – Marcelo! Venha! – gritou ele de perto de uma árvore, porém ele havia ficado preso no buraco.
 – Perleam, corra! Eu vou conseguir me cuidar! Vá!
Perleam na Floresta, por Everson Bicudo

Perleam na Floresta, por Everson Bicudo

       Mas Perleam não era como os outros, não podiam viver só… Não sem o seu amigo tão querido, tão fiel e foi aí que ele correu novamente em direção à cerca, correndo como os ventos para salvar um dos únicos que o compreendera uma vez. Aquilo era o bastante. Mas o solo da floresta cedeu e ele caiu, a última coisa que viu foi o seu amigo gritando preso à cerca e os garotos chegando, mas estes retornaram com medo do que havia acontecido. Perleam se fora?
    Então Marcelo, num último esforço, conseguiu passar e adentrar a floresta deixando a sua mochila para trás, na cerca. Ele caminhou até o lugar onde o amigo caíra, era um poço abandonado, não havia nada lá dentro, nem o seu amigo pelo que podia ver, então escutou um assovio vindo da floresta e continuou andando, andando até encontrar o único que lhe entendera um dia. Nenhum deles foi encontrado, apenas a mochila ainda suja de terra e dentro dela, dois passarinhos mortos, nada de estilingues. Dizem que ainda é possível ouvir assovios vindo da floresta, agora o Santuário de Perleam, seguidos de risos de duas crianças que finalmente encontraram a liberdade.
Standard

One thought on “A Mochila

  1. Pingback: O Renascimento de Perleam e Marceu | 14 dimensões 14 janelas

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s