Perleam

O Nascimento de Perleam

Quando uma criança nasce, sabe-se que ela terá vida, provavelmente será feliz, porém o que é desconhecido é o como isso se procederá. “Nem mesmo a nuvem sabe onde a gota d’água vai cair.”

E quando milhares de gotas caíram do céu, Perleam nasceu.
Ele cresceu vivendo num lugar um tanto quanto distante da sociedade que conhecemos, Perleam cresceu num mundo só seu: num sítio com seus pais.
Diferente das outras crianças, esse garotinho, tão peculiar, não via mal algum nas pessoas ao seu redor, ele não conhecia este lado das pessoas, era inocente.
Então um dia chegou o momento de ir à escola pela primeira vez, Perleam estava ansioso, nervoso, agitado e ao mesmo tempo feliz por enfim conhecer algo muito além daquele seu mundinho precioso.
Chegando à escola ele encontrou muitas outras crianças, era uma escola rural pequena, com uma turma de no máximo quarenta e cinco pessoas.
No primeiro dia de aula, ele passou por algo que o intrigava: num certo momento, ele assoviava para se distrair ao desenhar. Porém a professora o repreendeu dizendo que todos precisavam de paz para pensar numa instituição como aquela e o silêncio era um requisito essencial para isso. Mas em seu interior ele ainda pensava: “Não consigo entender… como eles podem entender o silêncio como um sinal de paz? Viver na solidão não é um sinal de paz… viver triste não é estar em paz. Ora, os pássaros cantam porque estão felizes e isso me deixa feliz, isso me traz paz. É por isso que dificilmente cantam quando presos numa gaiola, paz seria liberdade, não?” Para Perleam, qualquer vida era preciosa, ainda mais a sua liberdade.
Depois daquele dia, Perleam não assoviou mais.
Noutro dia, encontrou um garotinho sentado num canto chorando um dia, na hora do recreio e resolveu falar com ele, afinal, ninguém naquele lugar gostava de conversar… todos pareciam tão distantes… tão frios.
– Tudo bem? – perguntou ele.
 – Sim, tudo bem. São só… aqueles garotos. – disse o garotinho apontando para um grupinho de cinco garotos que chutavam algo na terra. – Eles pegaram a minha mochila e a jogaram naquele formigueiro, agora estão chutando ela.
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2 thoughts on “O Nascimento de Perleam

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