Perleam

O Renascimento de Perleam e Marceu

Capítulos 1 e 2 em sequência aqui e aqui.
“Será um castigo pelos assovios em sala de aula?”, pensou Perleam. A última coisa que se lembrara fora que Marceu estava preso na cerca e os garotos estavam atrás dele, tentando pegá-lo.
Sem sombras ao redor
Perleam se vi sozinho
Num mundo sem cor
Sem qualquer sinal do seu amigo.
Ele estava num bosque cuja atmosfera dava sensação de infinito. A solidão era a sua única companhia. Não sentia fome, frio ou calor; nem vazio ou enjoo. Sentia falta do seu amigo. Como poderia ter desenvolvido uma amizade tão “platônica” assim por alguém que conhecera em tão pouco tempo?
Aqueles dias se resumiram em subir nas árvores pitorescas de galhos finos daquele lugar. Lembrava-se, então, de quando seu pai o levantava nos braços para em seguida abraçá-lo, sentia seu corpo leve e o coração pesado. Embora fosse fácil e ele não se cansasse disso, as esperanças diminuíam… Afinal só o que conseguia ver eram quilômetros de floresta e um deserto distante com a única cor que ele conseguia ver além do preto e branco: azul.
Ele dormia num aconchegante emaranhado de galhos de uma árvore maior preenchido chumaços de uma textura macia que colhera em outra árvore da qual apelidara de “árvore de algodão”.
Num amanhecer, Perleam sentou-se ao pé da árvore e chorou. Sentia saudades do seu amigo, de seu pai, sua mãe… então resolveu sair da floresta. Aquele lugar não era mais a sua casa, sua casa era ao lado do seu amigo; a nossa casa é onde nosso coração é feliz por bater, por nos manter vivos e ali, naquele mundo em preto, branco e azul ele nem sentia o seu coração como antes. Perleam andou até o deserto azul e nele mergulhou. Notou que sentia o frio e depois de certo tempo nadando para o fundo sentiu-se cansado, mas não poderia desistir, ficar naquele mundo não tinha sentido. Alguns minutos depois seus membros estavam com dificuldade para se mexer, então ele deixou-se levar e cair. Perleam adormecera e ao acordar viu algo flutuando naquele azul celeste. Era Marceu. Ele também estava nadando! Procurara por Perleam assim como ele o fizera! Então o garoto nadou até alcançar seu amigo, ele estava gelado, não havia como levá-lo até a superfície, então Perleam dormiu ali com ele, com seu amigo sorrindo ao sentí-lo próximo.
Um dia, aquele iceberg chegou ao fundo do lago, ao outro lado, onde Marceu estava. Um anjo os encontrou. O mundo que Perleam conhecia já não existia, o céu era a paisagem mais bonita e a mais horripilante, abaixo deste, estava diante do celestial: as ruínas da escola e as sombras dos corpos dos anjos que se desintegraram ali dias antes.
Afinal o Mundo não fora feito para durar
Mas aos olhos dos alados não restara outra decisão
A não ser criá-lo escondido do céu para não poder recordar
Que a sua verdadeira casa agora era uma prisão
Aqui Perleam
acorda dos seus sonhos
para a
realidade.
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